Como usar multímetro: guia completo para quem nunca pegou em um
Aprenda a usar multímetro do zero: onde ligar as pontas, o que significa cada símbolo do seletor e como medir tensão, continuidade e resistência com segurança.
Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 7 min de leitura

O multímetro é o instrumento mais útil e mais mal compreendido da caixa de ferramentas. Ele parece complicado por causa daquele círculo cheio de símbolos, mas na prática você usa três ou quatro posições do seletor no dia a dia — o resto é detalhe.
Este guia foi escrito para quem nunca mediu nada na vida. Vamos partir do zero: o que é cada parte do aparelho, onde ligar as pontas, o que cada símbolo significa, como fazer as três medições básicas e quais erros queimam o instrumento (ou a sua mão). No fim, você vai saber exatamente o que fazer com o multímetro que está parado na gaveta.
As partes do multímetro: display, seletor e bornes#

Todo multímetro, do mais barato ao mais caro, tem três áreas. O display mostra o valor medido. O seletor rotativo (aquele botão grande no meio) escolhe o que você vai medir. E os bornes, na parte de baixo, são os buracos onde você encaixa as pontas de prova.
Os bornes são o ponto onde a maioria dos iniciantes erra. Quase todo multímetro tem três:
- COM — o borne comum, sempre da ponta preta. Ela nunca sai daqui.
- VΩmA — borne da ponta vermelha para medir tensão, resistência, continuidade e correntes pequenas. É onde ela fica em praticamente tudo que você vai fazer.
- 10A — borne especial só para medir corrente alta. Se a ponta vermelha ficar esquecida aqui e você encostar numa tomada, o multímetro vira um curto-circuito de 220 V. Esse é o erro número um de quem está começando.
Grave a regra: preta no COM, vermelha no VΩ. Só mude isso quando for medir corrente com o multímetro em série no circuito — coisa que iniciante quase nunca precisa fazer.
Nas pontas de prova, olhe também o estado do cabo. Cabo ressecado, com a borracha rachada perto da haste metálica, é acidente esperando acontecer. Ponta de prova é item de consumo: se está gasta, troque, custa pouco.
O que cada símbolo do seletor significa#

O seletor assusta porque tem muita posição, mas os símbolos seguem um padrão internacional. Uma vez que você entende a lógica, qualquer multímetro do mundo fica legível.
| Símbolo | O que é | Quando usar |
|---|---|---|
| V~ (ou VAC) | Tensão alternada | Tomada, rede elétrica, saída de placa para motor e resistência |
| V⎓ (ou VDC) | Tensão contínua | Pilha, bateria, fonte de placa eletrônica, sensor |
| Ω | Resistência | Resistência de aquecimento, bobina, enrolamento de motor |
| Ondinhas de som | Continuidade (bipe) | Fusível, cabo, chave, contato — testa se o caminho existe |
| Seta de diodo | Teste de diodo | Diodos e pontes retificadoras de placa |
| A~ / A⎓ / mA | Corrente | Medir consumo com o multímetro em série (uso avançado) |
Duas observações importantes. Primeira: nos multímetros mais simples, cada grandeza tem várias posições numeradas (200, 2000, 20k, 200k). Isso é a escala: você precisa escolher um valor acima do que espera medir. Se vai medir uma tomada de 220 V, use a posição de 600 V (ou 750 V), nunca a de 200 V.
Segunda: multímetros modernos são autorange (automáticos). Eles têm só uma posição por grandeza e escolhem a escala sozinhos. Se o seu é assim, ignore a parte de escolher escala — é uma preocupação a menos.
Detalhamos cada ícone em símbolos do multímetro: o que significa cada um, com fotos ampliadas do seletor.
Sua primeira medição: uma pilha comum#

Não comece na tomada. Comece numa pilha AA. É seguro, você sabe o resultado esperado e aprende o movimento das mãos.
- Encaixe a ponta preta no COM e a vermelha no VΩ.
- Gire o seletor para V⎓ (tensão contínua). Se for manual, escolha a escala de 20 V.
- Encoste a ponta vermelha no lado positivo (o de bico) e a preta no lado negativo (o plano).
- Leia o display.
Pilha nova marca entre 1,5 e 1,6 V. Abaixo de 1,2 V ela já está fraca. Se aparecer o valor com sinal de menos (-1,5 V), você só inverteu as pontas — não tem problema nenhum, é o multímetro avisando a polaridade.
Repita com uma bateria de 9 V, com a bateria do carro (12,6 V com o motor parado) e com um carregador de celular. Em meia hora você ganha confiança com a escala de tensão contínua, que é a mais tranquila de todas.
Depois disso, treine continuidade com um cabo solto: seletor nas ondinhas, uma ponta em cada extremidade do fio. Bipou, o fio está inteiro. Não bipou, está rompido. É o teste mais rápido e mais útil que existe.
Medindo tensão na tomada com segurança#
Só faça isso depois de estar confortável com a pilha. Tensão de rede não perdoa distração.
Seletor em V~, escala de 600 V se o seu for manual. Segure cada ponta por uma mão, pelo corpo plástico, nunca perto da haste metálica. Introduza as pontas nos dois furos retangulares da tomada — o terceiro furo, redondo e no meio, é o terra.
O que você deve ler:
- 127 V (aceitável de 117 a 133 V) em regiões de 127 V;
- 220 V (aceitável de 202 a 231 V) em regiões de 220 V;
- Zero significa tomada sem energia — disjuntor desarmado, fio solto ou tomada queimada.
Leitura muito abaixo do esperado durante o funcionamento de um aparelho grande é sinal de fiação subdimensionada ou conexão frouxa, e isso queima motor e placa com o tempo. Se sua geladeira, ar-condicionado ou máquina de lavar apresenta comportamento estranho, a tensão da tomada é sempre a primeira coisa a conferir.
O passo a passo completo, incluindo medição em quadro de disjuntores e em fonte de placa, está em como medir tensão com multímetro.
Resistência e continuidade: os testes com o aparelho desligado#
Aqui vale a regra mais importante de todas: resistência e continuidade só se medem com o equipamento desligado da tomada. Nessas escalas, o multímetro injeta a corrente da própria bateria dele no circuito. Se houver tensão externa, o instrumento se danifica.
Continuidade responde a uma pergunta de sim ou não: existe caminho elétrico entre estes dois pontos? Bipou, existe. Silêncio, o caminho está interrompido. Serve para fusível, cabo, chave, micro-chave de porta, térmico e chicote.
Resistência (Ω) responde com um número. Uma resistência de aquecimento de 2.000 W em 220 V deve marcar perto de 24 Ω — a conta é R = V² ÷ P. Se marcar "1" sozinho à esquerda do display (ou "OL"), significa infinito: a peça está aberta, queimada. Se marcar quase zero onde deveria haver dezenas de ohms, há curto.
Um cuidado que poucos avisam: desconecte ao menos um dos fios da peça antes de medir. Com tudo ligado no circuito, o multímetro lê todos os caminhos em paralelo e o número não quer dizer nada.
Com essas duas escalas você já consegue testar uma resistência de secadora, um termostato, um fusível de micro-ondas e a bobina de uma válvula de entrada de água. É o começo real do diagnóstico.
Cinco erros que queimam o multímetro (ou você)#
- Medir tomada na escala de ohms. A escala Ω alimenta o circuito com a bateria interna. Ligar 220 V nela destrói o instrumento na hora.
- Esquecer a ponta vermelha no borne 10A. Nesse borne o multímetro é praticamente um fio. Encostar na rede é curto-circuito franco, com arco e faísca.
- Girar o seletor com as pontas encostadas. Escolha a função primeiro, encoste depois. Sempre.
- Medir capacitor sem descarregar. Capacitor de partida de motor guarda carga mesmo com tudo desligado. Descarregue com um resistor antes de encostar as pontas — veja como testar capacitor com multímetro.
- Confiar em um multímetro sem categoria de segurança. Para mexer em rede elétrica residencial, o mínimo responsável é CAT III. Modelos sem indicação não têm proteção contra os picos da rede predial.
Some a isso o básico de segurança pessoal: mãos secas, bancada organizada, nada de anel e pulseira metálica, e nunca medir sozinho em instalação energizada quando você ainda está aprendendo.
Próximos passos depois deste guia#
Este guia é o ponto de partida e serve para qualquer multímetro. A partir daqui, cada assunto tem um artigo próprio, mais profundo, que continua exatamente de onde este parou:
| Se você quer… | Continue em |
|---|---|
| Entender cada ícone do seletor e dos bornes | Símbolos do multímetro: o que significa cada um |
| Dominar o aparelho de display, autorange e prefixos | Como usar multímetro digital |
| Ler o ponteiro, a escala e o zero ôhmico | Como usar multímetro analógico |
| Medir tomada, quadro, fonte de placa e bateria | Como medir tensão com multímetro |
| Testar fusível, chicote, chave e térmico | Como testar continuidade com multímetro |
| Usar o aparelho de bolso mais vendido do Brasil | Multímetro DT-830B: como usar |
| Diagnosticar geladeira, lavadora, micro-ondas e split | O multímetro no conserto de eletrodomésticos |
E, para o dono de casa: o multímetro é excelente para entender o problema, mas há limites. Cheiro de queimado, disjuntor desarmando repetidamente, fusível que queima de novo depois de trocado ou choque ao encostar na carcaça são situações de chamar técnico imediatamente. Nesses casos o problema não está na peça que queimou, e sim na causa que a queimou.
Perguntas frequentes
›Qual multímetro comprar para começar?
›Posso usar multímetro sem saber nada de elétrica?
›O que significa o número 1 sozinho no display?
›Por que meu multímetro mostra valores oscilando sozinho?
›Dá para medir se tem energia sem encostar nos fios?
›Multímetro precisa de calibração?
›Posso medir corrente com qualquer multímetro?
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Sobre o autor
Anderson ReyEmpreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.
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