Tabela de preços de assistência técnica: como montar a sua em 2026
Aprenda a calcular o custo-hora real, a taxa de visita e o markup de peças para montar uma tabela de preços justa e lucrativa em 2026.
Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 6 min de leitura

Grande parte dos técnicos de refrigeração e máquinas de lavar aprende o ofício pela prática, mas quase nenhum aprende a precificar o próprio trabalho. O resultado é uma tabela copiada de um colega, ajustada "no olho" quando o cliente reclama, e que raramente cobre todos os custos reais de manter a atividade rodando.
Este guia mostra como calcular o custo-hora real de uma assistência técnica em 2026, como estruturar taxa de visita, diagnóstico e markup de peças, e traz uma tabela de referência por tipo de serviço para comparar com a sua realidade regional antes de sair cobrando qualquer valor no telefone.
Por que a maioria dos técnicos cobra errado#
O erro mais comum começa na origem: muitos técnicos definem o preço olhando só o valor da peça e um "algo a mais" pela mão de obra, sem calcular quanto custa manter a operação rodando por hora. Isso inclui gastos que não aparecem no dia a dia, mas corroem o caixa no fim do mês — manutenção do carro, seguro, depreciação de ferramentas, mensalidade do MEI ou Simples Nacional e os dias sem chamado nenhum.
Outro erro clássico é usar a tabela do concorrente como referência absoluta. Cada assistência técnica tem uma estrutura de custo diferente: quem trabalha sozinho tem custo-hora menor do que quem emprega um ajudante, e quem atende em capital com trânsito pesado gasta mais tempo e combustível por chamado. Copiar preço de terceiros sem entender a própria estrutura de custo é reproduzir o erro alheio.
Calculando o custo-hora real: pró-labore, veículo, ferramentas e impostos#

O ponto de partida é decidir quanto você precisa ganhar por mês para viver — o pró-labore —, não quanto "acha justo cobrar por hora". Um técnico que deseja renda líquida de R$ 6.000 mensais precisa embutir esse valor na conta antes de qualquer outro custo: ele não é lucro, é salário do dono do negócio, e sem esse número claro a precificação vira adivinhação.
A partir do pró-labore, somam-se os custos fixos mensais: combustível e manutenção do veículo (R$ 800 a R$ 1.800, conforme região e volume de chamados), depreciação e reposição de ferramentas (reserva de R$ 200 a R$ 400 é razoável), telefone e marketing (R$ 150 a R$ 400) e impostos do regime escolhido, que no MEI giram em torno de R$ 76 fixos por mês e no Simples variam conforme o faturamento.
Taxa de visita e diagnóstico: por que ela precisa existir#
A taxa de visita cobre o tempo e o custo de ir até o cliente, avaliar o problema e emitir orçamento, mesmo que o serviço não seja fechado depois. Em 2026, ela costuma variar entre R$ 60 e R$ 150 nas grandes cidades, um pouco menor no interior, onde os deslocamentos são mais curtos.
Muitos técnicos abrem mão dela "para não assustar o cliente" e acabam trabalhando de graça em boa parte dos chamados, já que uma parcela relevante das visitas não vira serviço fechado — seja porque o cliente decidiu trocar o aparelho, achou o orçamento alto ou quer comparar com outro profissional. Sem taxa de visita, esse tempo é prejuízo puro.
Preço por serviço fechado x preço por hora corrida#
Serviços repetitivos e padronizados — troca de resistência de lava-louças, correia de lavadora, placa eletrônica ou limpeza de condensadora de split — são mais bem cobrados por pacote fechado do que por hora. Um técnico experiente executa esses reparos cada vez mais rápido, e cobrar por hora corrida penaliza a própria eficiência: quanto mais rápido ele fica, menos ganha pela mesma tarefa.
Já diagnósticos complexos e de causa incerta — como uma geladeira que "às vezes gela, às vezes não" — costumam justificar cobrança por hora, ou taxa de investigação mais valor fechado após identificar a causa. Isso protege o técnico de gastar horas de investigação sem remuneração proporcional.
Markup sobre peças: quanto cobrar além do preço de custo#

O markup existe para cobrir o custo de compra, o frete, o tempo gasto cotando o item, o risco de sobra em estoque e a garantia sobre a peça instalada. Vender pelo preço de custo "para não parecer caro" transforma o técnico em intermediário sem lucro justamente na parte que mais pesa no orçamento de muitos reparos.
Na prática de mercado em 2026, itens de giro rápido e baixo valor, como resistências e correias, levam markup entre 30% e 40%, porque o técnico já tem estoque e o risco é baixo. Peças de maior valor ou encomendadas, como placas eletrônicas e compressores, justificam markup entre 40% e 60%, dado o capital parado, o prazo de entrega e o risco de o cliente desistir do reparo depois de encomendada a peça.
Tabela de referência: faixas de preço por tipo de serviço em 2026#
Os valores abaixo são faixas médias observadas em capitais e regiões metropolitanas em 2026, ponto de partida para comparação — variam com a cidade, o custo de vida local e o modelo do aparelho. Ajuste sempre com base na sua planilha de custo-hora real.
| Serviço | Faixa de preço (mão de obra) | Observação |
|---|---|---|
| Taxa de visita/diagnóstico | R$ 60 – R$ 150 | Abatida se o serviço for fechado |
| Lavadora: troca de correia ou rolamento | R$ 180 – R$ 380 | Varia com acesso ao tambor |
| Lavadora: troca de placa eletrônica | R$ 220 – R$ 450 | Sem custo da peça |
| Geladeira: recarga de gás com reparo de vazamento | R$ 280 – R$ 650 | Depende do ponto do vazamento |
| Geladeira: troca de compressor | R$ 350 – R$ 700 | Sem custo da peça |
| Ar-condicionado split: higienização completa | R$ 150 – R$ 350 | Por unidade evaporadora |
| Ar-condicionado split: instalação padrão | R$ 400 – R$ 900 | Até 3 metros de tubulação |
| Micro-ondas: troca de magnetron ou fusível térmico | R$ 120 – R$ 300 | Sem custo da peça |
| Lava e seca: diagnóstico e reparo de erro eletrônico | R$ 250 – R$ 550 | Complexidade maior de acesso |
Serviços de instalação e reparo em ar-condicionado split têm faixa mais ampla, pois dependem da distância entre as unidades, do tipo de parede e da infraestrutura elétrica, por isso costumam ser orçados presencialmente. Revise essa tabela a cada seis meses, comparando com concorrentes da região e com a variação de custo de peças e combustível.
Tabela de composição do custo-hora e periodicidade de reajuste#
Veja um exemplo de composição de custo-hora de um técnico que fatura em torno de 110 horas produtivas por mês. Os valores são ilustrativos e devem ser substituídos pelos números reais do seu negócio.
| Item de custo mensal | Valor estimado (R$) |
|---|---|
| Pró-labore desejado | 6.000 |
| Combustível e manutenção do veículo | 1.200 |
| Depreciação e reposição de ferramentas | 300 |
| Telefone, internet e marketing | 250 |
| Impostos (MEI/Simples) | 250 |
| Colchão de inadimplência e ociosidade (10%) | 800 |
| Total mensal | 8.800 |
| Custo-hora real (÷ 110 h produtivas) | ≈ 80 |
Sobre o custo-hora de R$ 80, aplica-se a margem de lucro desejada — entre 15% e 30% — para chegar ao preço final de venda. Sem essa margem, o técnico apenas cobre custos, sem construir capital para reinvestir em ferramentas, veículo ou contratação de ajudante.
O reajuste deve ser programado, não reativo: revise a cada 6 meses observando combustível e peças, e faça um reajuste mais completo uma vez por ano incorporando a inflação e mudanças de estrutura. Comunicar com antecedência a clientes recorrentes, como síndicos ou contratos de manutenção preventiva, evita atrito — reajustes abruptos, aplicados só quando o caixa aperta, passam impressão de preço arbitrário, mesmo quando tecnicamente justos.
Como comunicar o preço ao cliente sem perder o serviço#

Grande parte da resistência a preço não vem do valor em si, mas da falta de clareza sobre o que ele cobre. Um orçamento de "R$ 380" gera mais objeção do que um que detalha "taxa de visita: R$ 100 (abatida), mão de obra: R$ 180, peça (correia original): R$ 100, garantia de 90 dias". Detalhar não encarece — organiza a percepção de valor.
Vale explicar, sem jargão técnico excessivo, por que o problema aconteceu e por que a solução proposta é a correta. Um cliente que entende que a placa queimou por oscilação de energia tende a aceitar melhor o orçamento do que alguém que só ouve o valor final.
Quando chamar um técnico#
Este conteúdo é voltado a quem já presta assistência técnica e quer estruturar melhor a própria tabela, mas também ajuda o consumidor final a entender por que orçamentos variam entre profissionais. Se você recebeu um orçamento muito abaixo da faixa de mercado descrita aqui, vale desconfiar da qualidade da peça usada ou da ausência de garantia real sobre o serviço.
Para quem está começando a formalizar a atividade, vale procurar um contador especializado em MEI ou microempresa antes de fechar a tabela final, porque a carga tributária muda a margem líquida real de cada serviço. Um contador também orienta sobre emissão de nota fiscal, o que aumenta a confiança de clientes corporativos e contratos de manutenção preventiva.
Perguntas frequentes
›Qual o valor mínimo que devo cobrar por hora de serviço em 2026?
›É certo cobrar taxa de visita mesmo se o cliente não fechar o serviço?
›Qual markup é razoável cobrar sobre as peças?
›Com que frequência devo reajustar minha tabela de preços?
›Devo cobrar por hora ou por serviço fechado?
›Como justificar um preço mais alto que o do concorrente informal?
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Sobre o autor
Anderson ReyEmpreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.
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