Dicas para Donos 26 de setembro de 2026 6 min

Tabela de preços de assistência técnica: como montar a sua em 2026

Aprenda a calcular o custo-hora real, a taxa de visita e o markup de peças para montar uma tabela de preços justa e lucrativa em 2026.

Anderson Rey
Anderson Rey

Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 6 min de leitura

Técnico de eletrodomésticos analisando planilha de custos e tabela de preços em um tablet dentro da van de serviço.

Grande parte dos técnicos de refrigeração e máquinas de lavar aprende o ofício pela prática, mas quase nenhum aprende a precificar o próprio trabalho. O resultado é uma tabela copiada de um colega, ajustada "no olho" quando o cliente reclama, e que raramente cobre todos os custos reais de manter a atividade rodando.

Este guia mostra como calcular o custo-hora real de uma assistência técnica em 2026, como estruturar taxa de visita, diagnóstico e markup de peças, e traz uma tabela de referência por tipo de serviço para comparar com a sua realidade regional antes de sair cobrando qualquer valor no telefone.

Por que a maioria dos técnicos cobra errado#

O erro mais comum começa na origem: muitos técnicos definem o preço olhando só o valor da peça e um "algo a mais" pela mão de obra, sem calcular quanto custa manter a operação rodando por hora. Isso inclui gastos que não aparecem no dia a dia, mas corroem o caixa no fim do mês — manutenção do carro, seguro, depreciação de ferramentas, mensalidade do MEI ou Simples Nacional e os dias sem chamado nenhum.

Outro erro clássico é usar a tabela do concorrente como referência absoluta. Cada assistência técnica tem uma estrutura de custo diferente: quem trabalha sozinho tem custo-hora menor do que quem emprega um ajudante, e quem atende em capital com trânsito pesado gasta mais tempo e combustível por chamado. Copiar preço de terceiros sem entender a própria estrutura de custo é reproduzir o erro alheio.

Calculando o custo-hora real: pró-labore, veículo, ferramentas e impostos#

Planilha impressa com cálculo de custo-hora de assistência técnica ao lado de calculadora e caneta.
Montar a planilha de custo-hora é o primeiro passo antes de definir qualquer preço de serviço.

O ponto de partida é decidir quanto você precisa ganhar por mês para viver — o pró-labore —, não quanto "acha justo cobrar por hora". Um técnico que deseja renda líquida de R$ 6.000 mensais precisa embutir esse valor na conta antes de qualquer outro custo: ele não é lucro, é salário do dono do negócio, e sem esse número claro a precificação vira adivinhação.

A partir do pró-labore, somam-se os custos fixos mensais: combustível e manutenção do veículo (R$ 800 a R$ 1.800, conforme região e volume de chamados), depreciação e reposição de ferramentas (reserva de R$ 200 a R$ 400 é razoável), telefone e marketing (R$ 150 a R$ 400) e impostos do regime escolhido, que no MEI giram em torno de R$ 76 fixos por mês e no Simples variam conforme o faturamento.

Taxa de visita e diagnóstico: por que ela precisa existir#

A taxa de visita cobre o tempo e o custo de ir até o cliente, avaliar o problema e emitir orçamento, mesmo que o serviço não seja fechado depois. Em 2026, ela costuma variar entre R$ 60 e R$ 150 nas grandes cidades, um pouco menor no interior, onde os deslocamentos são mais curtos.

Muitos técnicos abrem mão dela "para não assustar o cliente" e acabam trabalhando de graça em boa parte dos chamados, já que uma parcela relevante das visitas não vira serviço fechado — seja porque o cliente decidiu trocar o aparelho, achou o orçamento alto ou quer comparar com outro profissional. Sem taxa de visita, esse tempo é prejuízo puro.

Preço por serviço fechado x preço por hora corrida#

Serviços repetitivos e padronizados — troca de resistência de lava-louças, correia de lavadora, placa eletrônica ou limpeza de condensadora de split — são mais bem cobrados por pacote fechado do que por hora. Um técnico experiente executa esses reparos cada vez mais rápido, e cobrar por hora corrida penaliza a própria eficiência: quanto mais rápido ele fica, menos ganha pela mesma tarefa.

Já diagnósticos complexos e de causa incerta — como uma geladeira que "às vezes gela, às vezes não" — costumam justificar cobrança por hora, ou taxa de investigação mais valor fechado após identificar a causa. Isso protege o técnico de gastar horas de investigação sem remuneração proporcional.

Markup sobre peças: quanto cobrar além do preço de custo#

Balcão de assistência técnica com peças de reposição organizadas em gavetas etiquetadas e ordem de serviço sobre a mesa.
Peças de giro rápido toleram markup menor; peças raras ou encomendadas justificam margem maior.

O markup existe para cobrir o custo de compra, o frete, o tempo gasto cotando o item, o risco de sobra em estoque e a garantia sobre a peça instalada. Vender pelo preço de custo "para não parecer caro" transforma o técnico em intermediário sem lucro justamente na parte que mais pesa no orçamento de muitos reparos.

Na prática de mercado em 2026, itens de giro rápido e baixo valor, como resistências e correias, levam markup entre 30% e 40%, porque o técnico já tem estoque e o risco é baixo. Peças de maior valor ou encomendadas, como placas eletrônicas e compressores, justificam markup entre 40% e 60%, dado o capital parado, o prazo de entrega e o risco de o cliente desistir do reparo depois de encomendada a peça.

Tabela de referência: faixas de preço por tipo de serviço em 2026#

Os valores abaixo são faixas médias observadas em capitais e regiões metropolitanas em 2026, ponto de partida para comparação — variam com a cidade, o custo de vida local e o modelo do aparelho. Ajuste sempre com base na sua planilha de custo-hora real.

ServiçoFaixa de preço (mão de obra)Observação
Taxa de visita/diagnósticoR$ 60 – R$ 150Abatida se o serviço for fechado
Lavadora: troca de correia ou rolamentoR$ 180 – R$ 380Varia com acesso ao tambor
Lavadora: troca de placa eletrônicaR$ 220 – R$ 450Sem custo da peça
Geladeira: recarga de gás com reparo de vazamentoR$ 280 – R$ 650Depende do ponto do vazamento
Geladeira: troca de compressorR$ 350 – R$ 700Sem custo da peça
Ar-condicionado split: higienização completaR$ 150 – R$ 350Por unidade evaporadora
Ar-condicionado split: instalação padrãoR$ 400 – R$ 900Até 3 metros de tubulação
Micro-ondas: troca de magnetron ou fusível térmicoR$ 120 – R$ 300Sem custo da peça
Lava e seca: diagnóstico e reparo de erro eletrônicoR$ 250 – R$ 550Complexidade maior de acesso

Serviços de instalação e reparo em ar-condicionado split têm faixa mais ampla, pois dependem da distância entre as unidades, do tipo de parede e da infraestrutura elétrica, por isso costumam ser orçados presencialmente. Revise essa tabela a cada seis meses, comparando com concorrentes da região e com a variação de custo de peças e combustível.

Tabela de composição do custo-hora e periodicidade de reajuste#

Veja um exemplo de composição de custo-hora de um técnico que fatura em torno de 110 horas produtivas por mês. Os valores são ilustrativos e devem ser substituídos pelos números reais do seu negócio.

Item de custo mensalValor estimado (R$)
Pró-labore desejado6.000
Combustível e manutenção do veículo1.200
Depreciação e reposição de ferramentas300
Telefone, internet e marketing250
Impostos (MEI/Simples)250
Colchão de inadimplência e ociosidade (10%)800
Total mensal8.800
Custo-hora real (÷ 110 h produtivas)≈ 80

Sobre o custo-hora de R$ 80, aplica-se a margem de lucro desejada — entre 15% e 30% — para chegar ao preço final de venda. Sem essa margem, o técnico apenas cobre custos, sem construir capital para reinvestir em ferramentas, veículo ou contratação de ajudante.

O reajuste deve ser programado, não reativo: revise a cada 6 meses observando combustível e peças, e faça um reajuste mais completo uma vez por ano incorporando a inflação e mudanças de estrutura. Comunicar com antecedência a clientes recorrentes, como síndicos ou contratos de manutenção preventiva, evita atrito — reajustes abruptos, aplicados só quando o caixa aperta, passam impressão de preço arbitrário, mesmo quando tecnicamente justos.

Como comunicar o preço ao cliente sem perder o serviço#

Técnico apresentando orçamento impresso a um cliente na sala de casa, ao lado de um ar-condicionado split aberto para manutenção.
Explicar o que está incluso no orçamento reduz objeção de preço e evita negociação por telefone.

Grande parte da resistência a preço não vem do valor em si, mas da falta de clareza sobre o que ele cobre. Um orçamento de "R$ 380" gera mais objeção do que um que detalha "taxa de visita: R$ 100 (abatida), mão de obra: R$ 180, peça (correia original): R$ 100, garantia de 90 dias". Detalhar não encarece — organiza a percepção de valor.

Vale explicar, sem jargão técnico excessivo, por que o problema aconteceu e por que a solução proposta é a correta. Um cliente que entende que a placa queimou por oscilação de energia tende a aceitar melhor o orçamento do que alguém que só ouve o valor final.

Quando chamar um técnico#

Este conteúdo é voltado a quem já presta assistência técnica e quer estruturar melhor a própria tabela, mas também ajuda o consumidor final a entender por que orçamentos variam entre profissionais. Se você recebeu um orçamento muito abaixo da faixa de mercado descrita aqui, vale desconfiar da qualidade da peça usada ou da ausência de garantia real sobre o serviço.

Para quem está começando a formalizar a atividade, vale procurar um contador especializado em MEI ou microempresa antes de fechar a tabela final, porque a carga tributária muda a margem líquida real de cada serviço. Um contador também orienta sobre emissão de nota fiscal, o que aumenta a confiança de clientes corporativos e contratos de manutenção preventiva.

Perguntas frequentes

›Qual o valor mínimo que devo cobrar por hora de serviço em 2026?
Depende da sua estrutura de custo, mas a maioria dos técnicos autônomos de refrigeração e linha branca chega a um custo-hora real entre R$ 45 e R$ 90. Sobre esse valor ainda é preciso aplicar a margem de lucro desejada, normalmente entre 15% e 30%.
›É certo cobrar taxa de visita mesmo se o cliente não fechar o serviço?
Sim. A taxa de visita remunera o deslocamento e o tempo de diagnóstico, independentemente do resultado. A prática mais aceita é cobrá-la integralmente e abatê-la do valor total quando o serviço é fechado na mesma visita.
›Qual markup é razoável cobrar sobre as peças?
Peças de giro rápido e baixo valor, como resistências e correias, levam markup entre 30% e 40%. Peças de maior valor ou encomendadas, como placas e compressores, justificam markup entre 40% e 60%, pelo capital parado e risco de estoque.
›Com que frequência devo reajustar minha tabela de preços?
Revise a cada 6 meses observando o custo de combustível e peças, e faça um reajuste mais completo uma vez por ano incorporando a inflação e mudanças na estrutura de custo do negócio.
›Devo cobrar por hora ou por serviço fechado?
Serviços padronizados e repetitivos, como troca de correia ou resistência, rendem mais quando cobrados por pacote fechado, pois recompensam a experiência do técnico. Diagnósticos complexos costumam justificar cobrança por hora ou taxa de investigação mais valor fechado depois do diagnóstico.
›Como justificar um preço mais alto que o do concorrente informal?
Detalhando o orçamento (taxa, mão de obra, peça, garantia) e destacando a garantia oferecida sobre o serviço e a peça, algo que concorrentes informais raramente oferecem. Preço baixo sem garantia costuma custar mais caro ao cliente no médio prazo.

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Anderson Rey

Sobre o autor

Anderson Rey

Empreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.

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