Como Fazer um PMOC Passo a Passo (Tutorial 2026)
Como fazer um PMOC em 7 passos: levantamento de equipamentos, plano de atividades, periodicidade, RT e registro. Tutorial de quem faz em campo.
Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 5 min de leitura

Montar um PMOC não é difícil. O que trava a maioria das pessoas é a ordem: elas começam preenchendo formulário e só depois vão ao prédio conferir os equipamentos — e aí descobrem que tem três máquinas que ninguém sabia que existiam, uma condensadora sem placa de identificação e um fancoil trancado numa sala que só o zelador abre.
A sequência certa é o contrário. Primeiro você levanta o que existe, depois você escreve. Este tutorial segue a ordem que eu uso em campo, em sete passos, do primeiro parafuso até o documento assinado e disponível no imóvel.
Se você ainda não sabe se está obrigado a ter o plano, comece pelo nosso guia de PMOC e volte aqui depois.
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Antes de começar: o que ter em mãos#
- Planta ou croqui do imóvel, mesmo que rascunhado.
- Prancheta ou celular para anotar e fotografar as placas.
- Chaves de acesso à casa de máquinas, shafts e forros.
- Lanterna — metade dos equipamentos está em lugar escuro.
- Etiquetas resistentes para identificação.
- Notas fiscais ou manuais dos equipamentos, se existirem.
Passo 1 — Levantar os equipamentos#
Ande pelo prédio inteiro e registre cada equipamento de climatização. Para cada um, anote:
- Tipo — split hi-wall, cassete, piso-teto, self contained, fancoil, chiller, VRF.
- Marca, modelo e número de série.
- Capacidade em BTU/h ou TR.
- Localização exata (andar, sala, setor).
- Estado aparente e data aproximada de instalação.
Não confie na lista que o síndico te entregar. Vá e confira. É comum aparecer equipamento instalado por locatário que nunca entrou no controle do condomínio — e ele conta na soma de capacidade.
Some a capacidade total. Ultrapassando 5 TR (60.000 BTU/h), o art. 6º da Portaria 3.523/1998 exige a manutenção de responsável técnico habilitado.
Passo 2 — Etiquetar cada máquina#
Cada equipamento do inventário recebe um código (AC-01, FC-02, CH-01) e uma etiqueta física no local. Sem isso, ninguém consegue cruzar o papel com a máquina — nem o técnico que vai fazer a manutenção, nem o fiscal que vai conferir.
Use etiqueta resistente a umidade e calor, e posicione onde dê para ler sem desmontar nada.
Passo 3 — Definir as atividades#
Para cada tipo de equipamento, descreva o que será feito. A base vem do art. 5º da Portaria 3.523/98, que manda manter limpos bandejas, serpentinas, umidificadores, ventiladores e dutos, e da NBR 13971. O conjunto mínimo:
- Filtros — limpeza ou substituição.
- Bandeja de condensado — limpeza, verificação de dreno e de acúmulo de água parada.
- Serpentinas — limpeza de evaporadora e condensadora.
- Ventiladores e motores — limpeza, inspeção de correias e rolamentos.
- Tomada de ar externo — verificação, limpeza e filtro classe G1 no mínimo.
- Dutos e casa de máquinas — inspeção e higienização conforme a NBR 14679.
- Verificações elétricas e de controle — conforme o sistema.
Dois cuidados que caem em fiscalização: a limpeza deve usar produtos biodegradáveis registrados no Ministério da Saúde, e a renovação de ar precisa atender ao mínimo de 27 m³/h por pessoa.
Passo 4 — Definir a periodicidade#
Quem define é o responsável técnico, considerando o tipo de sistema, a carga de uso e o ambiente. A referência de partida:
| Atividade | Referência | Ajuste para uso pesado |
|---|---|---|
| Filtros | Mensal | Quinzenal |
| Bandeja e dreno | Trimestral | Mensal |
| Serpentinas | Semestral | Trimestral |
| Ventiladores e motores | Semestral | Trimestral |
| Tomada de ar externo | Semestral | Trimestral |
| Dutos e casa de máquinas | Anual | Semestral |
Considere uso pesado: hospitais, cozinhas industriais, ambientes com muita poeira, alta ocupação ou operação 24 horas. Antecipar é sempre permitido; espaçar exige justificativa técnica registrada no plano.
Registre no plano o critério que você usou para chegar em cada intervalo. Numa fiscalização, periodicidade justificada por escrito vale muito mais do que número solto copiado de tabela — e, se algum dia houver questionamento sobre um evento no prédio, é esse registro que mostra que a decisão foi técnica.
Passo 5 — Designar o responsável técnico#
O art. 6º da Portaria 3.523/98 exige responsável técnico habilitado para sistemas acima de 5 TR. A norma não nomeia a profissão — e vale saber que o dispositivo da Lei 13.589/2018 que reservaria essa função ao engenheiro mecânico foi vetado, por criar reserva de mercado.
Habilitado significa: formação na área, registro ativo no conselho de classe competente, atribuição compatível com a atividade e a devida anotação de responsabilidade técnica. Registre no plano o nome, a formação, o número de registro e a ART ou TRT. Quem pode assumir esse papel está detalhado em quem pode assinar o PMOC.
Passo 6 — Montar o registro de execução#
É o passo que quase todo mundo pula — e o que a fiscalização olha primeiro. O plano descreve a intenção; o registro prova a execução.
Cada linha do registro precisa de: data, equipamento (pelo código da etiqueta), atividade realizada, nome de quem executou e assinatura. Acrescente uma coluna de observações para anotar não conformidades.
PMOC assinado com a folha de registro em branco há oito meses é, na prática, PMOC inexistente.
Passo 7 — Emitir, assinar e manter no imóvel#
- Emita o documento consolidado com todas as seções.
- Colete a assinatura do responsável técnico e do responsável legal pelo estabelecimento.
- Mantenha disponível no imóvel — a Portaria exige que o plano esteja no local, não no escritório da empresa contratada.
- Guarde uma cópia digital e mantenha o registro sempre atualizado.
- Revise a cada mudança no sistema e na periodicidade definida pelo RT.
Uma confusão que custa caro#
Muito síndico me diz "já tenho contrato de manutenção, então estou coberto". Não está — e a distinção importa:
| Contrato de manutenção | PMOC | |
|---|---|---|
| O que é | Acordo comercial com um prestador | Documento técnico exigido por norma sanitária |
| Exigido por | Ninguém — é decisão do contratante | Lei 13.589/2018 e Portaria 3.523/1998 |
| Fica onde | No escritório | Disponível no imóvel |
| Traz inventário e periodicidade | Nem sempre | Obrigatoriamente |
| Comprova execução | Só se houver ordem de serviço arquivada | Sim, pelo registro de execução |
O ideal é que os dois conversem: o contrato executa o que o plano determina, e cada visita alimenta o registro. Ter contrato sem PMOC deixa você exposto na fiscalização; ter PMOC sem executar deixa você exposto na Justiça.
Onde fica o gerador de PMOC no site#
Antes de você abrir a ferramenta, vale saber onde ela está: o gerador de PMOC da Refrimaq fica no menu Utilidades, no topo de qualquer página do site. Abaixo, o caminho em dois passos.
A ferramenta é gratuita, roda no navegador, não pede cadastro para gerar o PDF e o documento sai sem marca d'água da Refrimaq — pronto para você entregar ao cliente ou anexar à pasta da fiscalização.
Erros que derrubam o plano#
- Inventário incompleto — equipamento instalado depois e nunca incluído.
- Sem etiqueta nas máquinas, impossibilitando o cruzamento com o papel.
- Registro de execução vazio ou preenchido em bloco no dia da fiscalização.
- Periodicidade genérica, copiada sem considerar o uso real do ambiente.
- Plano guardado fora do imóvel.
- Sem anotação de responsabilidade técnica do profissional.
- Nunca revisado depois de emitido.
Perguntas frequentes
›Como fazer um PMOC do zero?
Comece pelo levantamento físico de todos os equipamentos de climatização, etiquete cada um, defina as atividades de manutenção por componente, estabeleça a periodicidade, designe o responsável técnico habilitado, monte a folha de registro de execução e emita o documento assinado, mantendo-o disponível no imóvel.
›Quanto tempo leva para montar um PMOC?
O que consome tempo é o levantamento em campo, que varia com o porte do imóvel — de algumas horas num escritório a vários dias num shopping. A montagem do documento em si, com o levantamento pronto e um gerador, leva minutos.
›Posso fazer o PMOC sozinho, sem empresa?
O levantamento e a montagem do documento você pode fazer. A designação do responsável técnico habilitado é exigida pelo art. 6º da Portaria 3.523/98 para sistemas acima de 5 TR, e a execução das manutenções deve ser feita por quem tem qualificação para isso.
›O que a fiscalização olha primeiro no PMOC?
O registro de execução. Plano bonito com folha de registro em branco não comprova nada. Depois vêm a identificação do responsável técnico, o inventário completo e a correspondência entre as etiquetas dos equipamentos e a lista do documento.
›Preciso refazer o PMOC quando troco um equipamento?
Sim, o plano precisa ser atualizado. Equipamento novo entra no inventário com código e etiqueta próprios, e as atividades e periodicidades correspondentes passam a constar do cronograma.
›Qual a diferença entre PMOC e laudo de qualidade do ar?
O PMOC é o plano de manutenção do sistema. O laudo de qualidade do ar é a análise dos parâmetros do ar interior conforme a RE-9/ANVISA de 2003. São documentos complementares: o plano cuida do equipamento, o laudo mede o resultado no ambiente.
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Sobre o autor
Anderson ReyEmpreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.
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