Ar Condicionado 24 de dezembro de 2024 8 min Atualizado 23 de julho de 2026

Disjuntor para Ar Condicionado: Tabela por BTU e Voltagem

Tabela completa de disjuntor para ar condicionado por BTU (9.000 a 36.000) e voltagem, cálculo de amperagem e o fio certo. Evite incêndio.

Anderson Rey
Anderson Rey

Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 8 min de leitura

Disjuntor branco, cabo elétrico e multímetro sobre bancada escura, com unidade evaporadora de ar-condicionado split ao fundo

Semana passada atendi um chamado onde o disjuntor do ar-condicionado desarmava toda vez que o compressor ligava. O dono jurava que o aparelho estava com defeito. Não estava. O eletricista da obra tinha instalado um disjuntor curva B de 10 A num split de 12.000 BTUs 220 V — errado no tipo e na amperagem. Trocamos por um curva C de 16 A e o problema sumiu na hora.

Esse tipo de erro é mais comum do que parece — e no pior cenário ele não desarma: superaquece a fiação e vira risco de incêndio. Escolher o disjuntor do ar-condicionado não é chute. Existe fórmula, existe norma (a NBR 5410) e existe uma faixa correta para cada BTU e cada voltagem.

Neste guia você vai encontrar a tabela definitiva de disjuntor por BTU (de 7.500 a 36.000 BTUs, em 110 V e 220 V), a fórmula para calcular a amperagem passo a passo, a bitola de fio certa para cada caso, por que o tipo curva C é obrigatório, os erros que causam incêndio e o momento exato em que você precisa chamar um eletricista. É informação técnica, direta e testada em campo — sem enrolação.

Por que o ar-condicionado precisa de disjuntor exclusivo#

O ar-condicionado é uma carga indutiva com pico de partida. Quando o compressor liga, ele puxa por frações de segundo uma corrente bem maior que a corrente de regime — às vezes 3 a 6 vezes o valor normal. Um circuito compartilhado com tomadas ou iluminação não aguenta essa oscilação sem desarmar ou aquecer.

A norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão, a NBR 5410, orienta que cargas desse porte fiquem em circuito exclusivo, saindo direto do quadro de distribuição com seu próprio disjuntor e sua própria fiação. Isso não é preciosismo de eletricista: é o que protege a casa.

Um disjuntor exclusivo faz três coisas por você:

  • Protege a fiação contra sobrecarga e curto, desarmando antes de o fio derreter.
  • Isola o problema. Se o AC der defeito, só o circuito dele cai — o resto da casa continua funcionando.
  • Segura o pico de partida do compressor sem desarmar à toa, desde que seja do tipo e da amperagem certos.

Ligar o split na tomada comum, com T ou extensão, é o caminho mais rápido para fio quente, tomada derretida e, no limite, princípio de incêndio. Circuito de ar-condicionado é sempre direto do quadro.

A regra da NBR 5410: Ib ≤ In ≤ Iz#

Antes da fórmula prática, a regra que a norma brasileira estabelece — e que muita gente ignora quando "manda pôr um disjuntor maior":

Ib ≤ In ≤ Iz

  • Ib — corrente de projeto, ou seja, o quanto o aparelho realmente puxa (número da plaqueta/manual).
  • In — corrente nominal do disjuntor, igual ou imediatamente superior a Ib.
  • Iz — capacidade de condução do cabo, que nunca pode ser menor que In.

É essa desigualdade que explica por que "colocar um disjuntor maior" é perigoso: se In passa de Iz, o cabo pode ser levado além do que suporta sem que nada desarme — e o superaquecimento acontece dentro da parede, onde ninguém vê. O disjuntor protege o cabo, não o aparelho.

Onde encontrar o Ib real: na plaqueta do produto (etiqueta técnica na lateral da evaporadora) e no manual do fabricante — procure "corrente nominal", "corrente de operação" ou "A". Esse número é o que vale, sempre. Dois splits de 12.000 BTUs podem ter correntes bem diferentes (inverter puxa menos que convencional), então cálculo a partir do BTU é aproximação, não verdade.

Quando só houver potência em watts na etiqueta, a fórmula prática de campo dá uma estimativa segura:

Corrente (A) ≈ Potência (W) ÷ Tensão (V) × 1,25

O fator 1,25 é margem para carga contínua (padrão importado dos EUA, mas amplamente usado no Brasil como aproximação de partida). Depois de calcular, arredonde para cima até o valor comercial de disjuntor mais próximo — 10, 16, 20, 25, 32 A. Ainda assim, sempre que possível, use o número da plaqueta em vez do cálculo.

Exemplo — split 12.000 BTUs, 220 V, potência 1.300 W: 1.300 ÷ 220 = 5,9 A → × 1,25 = 7,4 A → disjuntor de 16 A (o de 10 A costuma desarmar no pico de partida). A tabela a seguir é o seu ponto de partida quando você não tem a plaqueta em mãos.

Tabela definitiva: disjuntor por BTU e voltagem#

Quadro elétrico com disjuntores brancos e técnico medindo tensão com multímetro digital
Circuito exclusivo do ar-condicionado sai direto do quadro, com disjuntor e bitola dimensionados pela corrente do aparelho.

Esta é a referência que vale imprimir e colar no quadro. Os valores cobrem splits convencionais (que puxam mais que os inverter, portanto seguros como base) e já consideram a margem de partida. Sempre confira contra a etiqueta do seu aparelho.

BTUs Disjuntor 110 V / 127 V Disjuntor 220 V Fio (mm²)
7.50016 A10 A2,5
9.00016 A10 A2,5
10.00016 A10 A2,5
12.00020 A16 A2,5 (110 V: 4)
18.000só 220 V16 A2,5
22.000só 220 V20 A4
24.000só 220 V20 A4
30.000só 220 V25 A4
36.000só 220 V25 a 32 A6

Todos os disjuntores da tabela devem ser do tipo curva C (explico o motivo mais abaixo). E lembre-se: a partir de 18.000 BTUs, praticamente todos os splits no Brasil são 220 V — não existe versão 110 V confiável nessas faixas.

Nota sobre “110 V”: no Brasil a rede residencial de baixa tensão costuma ser 127 V. Onde você lê 110 V na tabela, considere 127 V no cálculo.

Disjuntor para os BTUs mais buscados#

Qual disjuntor para AC de 9.000 BTUs 220 V?

Um split de 9.000 BTUs 220 V puxa cerca de 4 a 5 A em regime. O disjuntor de 10 A curva C atende com folga. Em 110 V/127 V, use 16 A, porque a mesma potência em tensão menor significa quase o dobro de corrente. Fio de 2,5 mm² nos dois casos.

Qual disjuntor para AC de 12.000 BTUs 220 V?

É a dúvida mais comum. Em 220 V, o disjuntor de 16 A curva C é a escolha certa — o de 10 A tende a desarmar no pico de partida do compressor. Em 110 V/127 V, suba para 20 A e, nesse caso, prefira fio de 4 mm² pela corrente mais alta. Foi exatamente esse o caso do cliente que abriu o artigo.

Qual disjuntor para AC de 18.000 BTUs 220 V?

Nessa faixa o aparelho é 220 V. Use disjuntor de 16 A curva C e fio de 2,5 mm². Se o modelo for de alta capacidade ou “quente/frio”, confira a etiqueta: alguns pedem 20 A. Acima de 18.000 BTUs, a recomendação passa a ser projeto com eletricista.

AC inverter vs. convencional: muda o disjuntor?#

Muda a lógica de partida, não a forma de dimensionar. O AC convencional liga e desliga o compressor no talo, gerando aquele pico de corrente grande a cada partida. O inverter modula a rotação: parte suave e trabalha em rotações variáveis, então o pico de partida é bem menor e o consumo médio, mais baixo.

Na prática, isso significa que o inverter é mais “gentil” com o disjuntor — muitos modelos inverter até especificam um disjuntor um degrau abaixo do convencional de mesmo BTU. Mesmo assim, a regra não muda: siga a etiqueta do aparelho. O fabricante já dá o disjuntor e a bitola de fio recomendados no manual. A tabela deste artigo, feita em cima do convencional, cobre com segurança os dois casos quando você não tem o manual em mãos.

Qual o tipo certo: curva C (nunca curva B)#

Disjuntor tem “curva de disparo”, que define quão rápido ele desarma diante de um pico de corrente. As duas mais comuns em residência:

  • Curva B — desarma rápido em picos de 3 a 5 vezes a corrente nominal. Boa para iluminação e tomadas (cargas resistivas). Ruim para ar-condicionado: o pico de partida do compressor faz ela desarmar à toa.
  • Curva C — tolera picos de 5 a 10 vezes a corrente nominal antes de disparar. É a indicada para cargas indutivas com partida forte: ar-condicionado, motores, bombas, geladeiras.

Para ar-condicionado, a resposta é sempre a mesma: curva C. Usar curva B provoca desarmes constantes que o cliente confunde com defeito do aparelho. Existe ainda a curva D (para cargas com partida ainda mais violenta, tipo motores industriais), mas para split residencial ela é exagerada — fique na C.

A fiação correta por bitola (mm²)#

Cabos de cobre de bitolas diferentes (2,5 mm², 4 mm² e 6 mm²) ao lado de um disjuntor branco sobre bancada preta
A bitola do fio precisa acompanhar a amperagem do disjuntor — subir o disjuntor sem subir o fio é o erro que causa incêndio.

Não adianta o disjuntor certo com o fio errado. O disjuntor protege o fio: se o cabo for fino demais para a corrente, ele aquece antes de o disjuntor perceber. Referência prática, alinhada à NBR 5410:

  • 2,5 mm² — circuitos com disjuntor de até 16 A (a maioria dos splits até 18.000 BTUs em 220 V).
  • 4 mm² — disjuntor de 20 a 25 A (splits maiores e 12.000 BTUs em 110 V).
  • 6 mm² — disjuntor de 32 A (splits de 36.000 BTUs e cargas altas).

Dois cuidados que evitam dor de cabeça:

  • Distância importa. Se o quadro fica longe do aparelho, a queda de tensão no cabo cresce e às vezes você precisa subir uma bitola. Trecho longo pede cálculo.
  • Proteção extra. A NBR 5410 exige DR (dispositivo diferencial residual) em vários circuitos, e o DPS (protetor contra surtos) no quadro é altamente recomendável para proteger a placa do inverter contra raios e picos da rede.

Erros comuns que causam incêndio#

Estes são os erros que eu mais vejo em campo — todos evitáveis:

  1. Disjuntor maior que o fio suporta. Colocar 32 A num fio de 2,5 mm² “pra não desarmar” é o erro mais perigoso: o fio aquece e o disjuntor nunca dispara. Receita de incêndio.
  2. Curva B no lugar de curva C. Desarme constante que leva o dono a “resolver” trocando por um disjuntor maior — repetindo o erro de cima.
  3. AC na tomada comum. Sem circuito exclusivo, a tomada e a fiação compartilhada não aguentam a corrente contínua.
  4. Emenda mal feita e conexão frouxa. Mau contato gera calor localizado. Aperto correto de terminal é básico e é onde muita instalação falha.
  5. Ignorar a etiqueta. O fabricante já entregou o disjuntor e a bitola certos. Instalar “no olho” é apostar contra a segurança.

⚠️ Aviso de segurança: instalação elétrica envolve risco de choque, curto e incêndio. Trabalhe sempre com o disjuntor geral desligado e confira ausência de tensão. Dimensionamento e instalação de circuito para ar-condicionado devem ser feitos por eletricista qualificado, seguindo a NBR 5410. As tabelas deste artigo são orientativas — a etiqueta do aparelho e o projeto elétrico têm a palavra final.

Quando chamar um eletricista#

Trocar um disjuntor de mesma especificação, com tudo desligado, é tarefa simples. Mas há situações em que chamar um profissional deixa de ser opção e vira obrigação:

  • Aparelhos acima de 12.000 BTUs — a corrente e a bitola já exigem circuito bem dimensionado.
  • Passar circuito novo do quadro até o aparelho (fio, eletroduto, disjuntor).
  • Quadro cheio, sem espaço, ou que precisa de reforço de aterramento.
  • Desarme repetido mesmo com disjuntor correto — pode ser fuga de corrente, fio danificado ou defeito no compressor.
  • Qualquer sinal de aquecimento no disjuntor, na tomada ou cheiro de queimado.

Um circuito bem feito custa uma fração do prejuízo de um curto — sem falar no risco à casa e às pessoas. Nessa conta, o eletricista sempre sai barato.

Conclusão#

Dimensionar o disjuntor do ar-condicionado é rápido quando você tem o roteiro: circuito exclusivo, curva C, amperagem pela fórmula (ou pela tabela), fio na bitola certa e a etiqueta do aparelho como palavra final. Fazer certo custa pouco e elimina desde o desarme chato até o risco real de incêndio.

Salve esta tabela no seu quadro e compartilhe com quem for instalar o próximo split. Precisa saber quanto seu aparelho consome e qual a corrente exata antes de comprar o disjuntor? Veja também o nosso guia de amperagem e consumo do ar-condicionado de 12.000 BTUs — ele completa este aqui e ajuda você a fechar o dimensionamento com segurança.

Perguntas frequentes

Qual disjuntor usar para AC de 12.000 BTUs 220V?
Disjuntor de 16 A curva C, com fio de 2,5 mm². O de 10 A costuma desarmar no pico de partida do compressor. Em 110V/127V, use 20 A e fio de 4 mm².
Qual disjuntor para AC de 9.000 BTUs 220V?
10 A curva C com fio de 2,5 mm² atende com folga. Em 110V/127V, use 16 A, porque a corrente é quase o dobro na tensão menor.
Qual disjuntor para AC de 18.000 BTUs 220V?
16 A curva C com fio de 2,5 mm². Modelos de alta capacidade podem pedir 20 A — confira a etiqueta. Acima dessa faixa, dimensione com eletricista.
Como calcular a amperagem do disjuntor?
Use Corrente = Potência (W) ÷ Tensão (V) × 1,25 e arredonde para cima até o disjuntor comercial mais próximo. A potência está na etiqueta do aparelho.
Posso usar um disjuntor maior do que o recomendado?
Não. O disjuntor protege o fio; um valor acima do que a fiação suporta faz o cabo aquecer sem desarmar, gerando risco de incêndio.
Preciso de disjuntor exclusivo para o ar-condicionado?
Sim. A NBR 5410 orienta circuito exclusivo direto do quadro para o ar-condicionado. Ligar na tomada comum sobrecarrega a fiação.
Curva B ou curva C para ar-condicionado?
Sempre curva C. A curva B desarma no pico de partida do compressor. A C tolera esse pico e é o padrão para cargas indutivas como AC, geladeira e motores.

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Sobre o autor

Anderson Rey

Empreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.

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