Disjuntor para Ar Condicionado: Tabela por BTU e Voltagem
Tabela completa de disjuntor para ar condicionado por BTU (9.000 a 36.000) e voltagem, cálculo de amperagem e o fio certo. Evite incêndio.
Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 8 min de leitura

Semana passada atendi um chamado onde o disjuntor do ar-condicionado desarmava toda vez que o compressor ligava. O dono jurava que o aparelho estava com defeito. Não estava. O eletricista da obra tinha instalado um disjuntor curva B de 10 A num split de 12.000 BTUs 220 V — errado no tipo e na amperagem. Trocamos por um curva C de 16 A e o problema sumiu na hora.
Esse tipo de erro é mais comum do que parece — e no pior cenário ele não desarma: superaquece a fiação e vira risco de incêndio. Escolher o disjuntor do ar-condicionado não é chute. Existe fórmula, existe norma (a NBR 5410) e existe uma faixa correta para cada BTU e cada voltagem.
Neste guia você vai encontrar a tabela definitiva de disjuntor por BTU (de 7.500 a 36.000 BTUs, em 110 V e 220 V), a fórmula para calcular a amperagem passo a passo, a bitola de fio certa para cada caso, por que o tipo curva C é obrigatório, os erros que causam incêndio e o momento exato em que você precisa chamar um eletricista. É informação técnica, direta e testada em campo — sem enrolação.
Por que o ar-condicionado precisa de disjuntor exclusivo#
O ar-condicionado é uma carga indutiva com pico de partida. Quando o compressor liga, ele puxa por frações de segundo uma corrente bem maior que a corrente de regime — às vezes 3 a 6 vezes o valor normal. Um circuito compartilhado com tomadas ou iluminação não aguenta essa oscilação sem desarmar ou aquecer.
A norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão, a NBR 5410, orienta que cargas desse porte fiquem em circuito exclusivo, saindo direto do quadro de distribuição com seu próprio disjuntor e sua própria fiação. Isso não é preciosismo de eletricista: é o que protege a casa.
Um disjuntor exclusivo faz três coisas por você:
- Protege a fiação contra sobrecarga e curto, desarmando antes de o fio derreter.
- Isola o problema. Se o AC der defeito, só o circuito dele cai — o resto da casa continua funcionando.
- Segura o pico de partida do compressor sem desarmar à toa, desde que seja do tipo e da amperagem certos.
Ligar o split na tomada comum, com T ou extensão, é o caminho mais rápido para fio quente, tomada derretida e, no limite, princípio de incêndio. Circuito de ar-condicionado é sempre direto do quadro.
A regra da NBR 5410: Ib ≤ In ≤ Iz#
Antes da fórmula prática, a regra que a norma brasileira estabelece — e que muita gente ignora quando "manda pôr um disjuntor maior":
Ib ≤ In ≤ Iz
- Ib — corrente de projeto, ou seja, o quanto o aparelho realmente puxa (número da plaqueta/manual).
- In — corrente nominal do disjuntor, igual ou imediatamente superior a Ib.
- Iz — capacidade de condução do cabo, que nunca pode ser menor que In.
É essa desigualdade que explica por que "colocar um disjuntor maior" é perigoso: se In passa de Iz, o cabo pode ser levado além do que suporta sem que nada desarme — e o superaquecimento acontece dentro da parede, onde ninguém vê. O disjuntor protege o cabo, não o aparelho.
Onde encontrar o Ib real: na plaqueta do produto (etiqueta técnica na lateral da evaporadora) e no manual do fabricante — procure "corrente nominal", "corrente de operação" ou "A". Esse número é o que vale, sempre. Dois splits de 12.000 BTUs podem ter correntes bem diferentes (inverter puxa menos que convencional), então cálculo a partir do BTU é aproximação, não verdade.
Quando só houver potência em watts na etiqueta, a fórmula prática de campo dá uma estimativa segura:
Corrente (A) ≈ Potência (W) ÷ Tensão (V) × 1,25
O fator 1,25 é margem para carga contínua (padrão importado dos EUA, mas amplamente usado no Brasil como aproximação de partida). Depois de calcular, arredonde para cima até o valor comercial de disjuntor mais próximo — 10, 16, 20, 25, 32 A. Ainda assim, sempre que possível, use o número da plaqueta em vez do cálculo.
Exemplo — split 12.000 BTUs, 220 V, potência 1.300 W: 1.300 ÷ 220 = 5,9 A → × 1,25 = 7,4 A → disjuntor de 16 A (o de 10 A costuma desarmar no pico de partida). A tabela a seguir é o seu ponto de partida quando você não tem a plaqueta em mãos.
Tabela definitiva: disjuntor por BTU e voltagem#

Esta é a referência que vale imprimir e colar no quadro. Os valores cobrem splits convencionais (que puxam mais que os inverter, portanto seguros como base) e já consideram a margem de partida. Sempre confira contra a etiqueta do seu aparelho.
| BTUs | Disjuntor 110 V / 127 V | Disjuntor 220 V | Fio (mm²) |
|---|---|---|---|
| 7.500 | 16 A | 10 A | 2,5 |
| 9.000 | 16 A | 10 A | 2,5 |
| 10.000 | 16 A | 10 A | 2,5 |
| 12.000 | 20 A | 16 A | 2,5 (110 V: 4) |
| 18.000 | só 220 V | 16 A | 2,5 |
| 22.000 | só 220 V | 20 A | 4 |
| 24.000 | só 220 V | 20 A | 4 |
| 30.000 | só 220 V | 25 A | 4 |
| 36.000 | só 220 V | 25 a 32 A | 6 |
Todos os disjuntores da tabela devem ser do tipo curva C (explico o motivo mais abaixo). E lembre-se: a partir de 18.000 BTUs, praticamente todos os splits no Brasil são 220 V — não existe versão 110 V confiável nessas faixas.
Nota sobre “110 V”: no Brasil a rede residencial de baixa tensão costuma ser 127 V. Onde você lê 110 V na tabela, considere 127 V no cálculo.
Disjuntor para os BTUs mais buscados#
Qual disjuntor para AC de 9.000 BTUs 220 V?
Um split de 9.000 BTUs 220 V puxa cerca de 4 a 5 A em regime. O disjuntor de 10 A curva C atende com folga. Em 110 V/127 V, use 16 A, porque a mesma potência em tensão menor significa quase o dobro de corrente. Fio de 2,5 mm² nos dois casos.
Qual disjuntor para AC de 12.000 BTUs 220 V?
É a dúvida mais comum. Em 220 V, o disjuntor de 16 A curva C é a escolha certa — o de 10 A tende a desarmar no pico de partida do compressor. Em 110 V/127 V, suba para 20 A e, nesse caso, prefira fio de 4 mm² pela corrente mais alta. Foi exatamente esse o caso do cliente que abriu o artigo.
Qual disjuntor para AC de 18.000 BTUs 220 V?
Nessa faixa o aparelho é 220 V. Use disjuntor de 16 A curva C e fio de 2,5 mm². Se o modelo for de alta capacidade ou “quente/frio”, confira a etiqueta: alguns pedem 20 A. Acima de 18.000 BTUs, a recomendação passa a ser projeto com eletricista.
AC inverter vs. convencional: muda o disjuntor?#
Muda a lógica de partida, não a forma de dimensionar. O AC convencional liga e desliga o compressor no talo, gerando aquele pico de corrente grande a cada partida. O inverter modula a rotação: parte suave e trabalha em rotações variáveis, então o pico de partida é bem menor e o consumo médio, mais baixo.
Na prática, isso significa que o inverter é mais “gentil” com o disjuntor — muitos modelos inverter até especificam um disjuntor um degrau abaixo do convencional de mesmo BTU. Mesmo assim, a regra não muda: siga a etiqueta do aparelho. O fabricante já dá o disjuntor e a bitola de fio recomendados no manual. A tabela deste artigo, feita em cima do convencional, cobre com segurança os dois casos quando você não tem o manual em mãos.
Qual o tipo certo: curva C (nunca curva B)#
Disjuntor tem “curva de disparo”, que define quão rápido ele desarma diante de um pico de corrente. As duas mais comuns em residência:
- Curva B — desarma rápido em picos de 3 a 5 vezes a corrente nominal. Boa para iluminação e tomadas (cargas resistivas). Ruim para ar-condicionado: o pico de partida do compressor faz ela desarmar à toa.
- Curva C — tolera picos de 5 a 10 vezes a corrente nominal antes de disparar. É a indicada para cargas indutivas com partida forte: ar-condicionado, motores, bombas, geladeiras.
Para ar-condicionado, a resposta é sempre a mesma: curva C. Usar curva B provoca desarmes constantes que o cliente confunde com defeito do aparelho. Existe ainda a curva D (para cargas com partida ainda mais violenta, tipo motores industriais), mas para split residencial ela é exagerada — fique na C.
A fiação correta por bitola (mm²)#

Não adianta o disjuntor certo com o fio errado. O disjuntor protege o fio: se o cabo for fino demais para a corrente, ele aquece antes de o disjuntor perceber. Referência prática, alinhada à NBR 5410:
- 2,5 mm² — circuitos com disjuntor de até 16 A (a maioria dos splits até 18.000 BTUs em 220 V).
- 4 mm² — disjuntor de 20 a 25 A (splits maiores e 12.000 BTUs em 110 V).
- 6 mm² — disjuntor de 32 A (splits de 36.000 BTUs e cargas altas).
Dois cuidados que evitam dor de cabeça:
- Distância importa. Se o quadro fica longe do aparelho, a queda de tensão no cabo cresce e às vezes você precisa subir uma bitola. Trecho longo pede cálculo.
- Proteção extra. A NBR 5410 exige DR (dispositivo diferencial residual) em vários circuitos, e o DPS (protetor contra surtos) no quadro é altamente recomendável para proteger a placa do inverter contra raios e picos da rede.
Erros comuns que causam incêndio#
Estes são os erros que eu mais vejo em campo — todos evitáveis:
- Disjuntor maior que o fio suporta. Colocar 32 A num fio de 2,5 mm² “pra não desarmar” é o erro mais perigoso: o fio aquece e o disjuntor nunca dispara. Receita de incêndio.
- Curva B no lugar de curva C. Desarme constante que leva o dono a “resolver” trocando por um disjuntor maior — repetindo o erro de cima.
- AC na tomada comum. Sem circuito exclusivo, a tomada e a fiação compartilhada não aguentam a corrente contínua.
- Emenda mal feita e conexão frouxa. Mau contato gera calor localizado. Aperto correto de terminal é básico e é onde muita instalação falha.
- Ignorar a etiqueta. O fabricante já entregou o disjuntor e a bitola certos. Instalar “no olho” é apostar contra a segurança.
⚠️ Aviso de segurança: instalação elétrica envolve risco de choque, curto e incêndio. Trabalhe sempre com o disjuntor geral desligado e confira ausência de tensão. Dimensionamento e instalação de circuito para ar-condicionado devem ser feitos por eletricista qualificado, seguindo a NBR 5410. As tabelas deste artigo são orientativas — a etiqueta do aparelho e o projeto elétrico têm a palavra final.
Quando chamar um eletricista#
Trocar um disjuntor de mesma especificação, com tudo desligado, é tarefa simples. Mas há situações em que chamar um profissional deixa de ser opção e vira obrigação:
- Aparelhos acima de 12.000 BTUs — a corrente e a bitola já exigem circuito bem dimensionado.
- Passar circuito novo do quadro até o aparelho (fio, eletroduto, disjuntor).
- Quadro cheio, sem espaço, ou que precisa de reforço de aterramento.
- Desarme repetido mesmo com disjuntor correto — pode ser fuga de corrente, fio danificado ou defeito no compressor.
- Qualquer sinal de aquecimento no disjuntor, na tomada ou cheiro de queimado.
Um circuito bem feito custa uma fração do prejuízo de um curto — sem falar no risco à casa e às pessoas. Nessa conta, o eletricista sempre sai barato.
Conclusão#
Dimensionar o disjuntor do ar-condicionado é rápido quando você tem o roteiro: circuito exclusivo, curva C, amperagem pela fórmula (ou pela tabela), fio na bitola certa e a etiqueta do aparelho como palavra final. Fazer certo custa pouco e elimina desde o desarme chato até o risco real de incêndio.
Salve esta tabela no seu quadro e compartilhe com quem for instalar o próximo split. Precisa saber quanto seu aparelho consome e qual a corrente exata antes de comprar o disjuntor? Veja também o nosso guia de amperagem e consumo do ar-condicionado de 12.000 BTUs — ele completa este aqui e ajuda você a fechar o dimensionamento com segurança.
Perguntas frequentes
›Qual disjuntor usar para AC de 12.000 BTUs 220V?
›Qual disjuntor para AC de 9.000 BTUs 220V?
›Qual disjuntor para AC de 18.000 BTUs 220V?
›Como calcular a amperagem do disjuntor?
›Posso usar um disjuntor maior do que o recomendado?
›Preciso de disjuntor exclusivo para o ar-condicionado?
›Curva B ou curva C para ar-condicionado?
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Sobre o autor
Anderson ReyEmpreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.
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