Tabela de Carga de Gás R-410A para Split por BTU e Metro
Tabela de carga de gás R-410A por BTU (9k a 36k), acréscimo por metro, carga na fase líquida e checagem por superaquecimento. A etiqueta manda.
Técnico · YouTuber · Professor · Ex-professor Senac · 6 min de leitura

Você está na instalação, a tubulação ficou mais longa que o padrão e precisa saber quanto de R-410A colocar. Este artigo é a tabela de referência por BTU e o acréscimo por metro — direto ao ponto. Mas antes do primeiro número, o aviso que evita retrabalho e compressor queimado: o valor definitivo é o da etiqueta do fabricante. A tabela abaixo é referência de partida; a plaqueta da condensadora e o manual de instalação têm a carga exata daquele modelo, incluindo o comprimento já pré-carregado de fábrica.
Aqui você tem a carga de fábrica por capacidade, o acréscimo em gramas por metro adicional, por que o R-410A só se carrega na fase líquida, as pressões de referência, o erro grave de "completar" gás numa mistura e a checagem final por superaquecimento e subresfriamento.
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Tabela de carga de referência por BTU#
Valores típicos de carga de fábrica para split R-410A. Servem de partida; confirme sempre na etiqueta, pois variam por fabricante, modelo e por ser convencional ou inverter.
| Capacidade (BTU/h) | Carga de fábrica (referência) | Acréscimo por metro adicional |
|---|---|---|
| 9.000 | ~0,6 – 0,9 kg | ~20 g/m |
| 12.000 | ~0,8 – 1,1 kg | ~20 g/m |
| 18.000 | ~1,1 – 1,6 kg | ~30 g/m |
| 22.000 – 24.000 | ~1,4 – 2,0 kg | ~30 g/m |
| 30.000 | ~1,8 – 2,4 kg | ~30 g/m |
| 36.000 | ~2,3 – 3,0 kg | ~30 g/m |
Regra prática corroborada por vários fabricantes: 20 g por metro para 9.000 e 12.000 BTU, 30 g por metro para 18.000 BTU e acima. Alguns inverters usam cerca de 15 g/m. Confirme o manual.
Quanto já vem pré-carregado (e por que isso muda tudo)#
O acréscimo por metro só entra depois do comprimento que já vem de fábrica — e esse comprimento varia muito por marca:
- Alguns modelos vêm carregados para 1 a 2 metros (por exemplo, certas linhas Consul).
- Outros, para 3 metros (certas linhas Agratto).
- Muitos, para 5 metros, e há quem carregue para 7,5 metros (várias linhas Gree).
Ou seja: antes de somar gramas, descubra na etiqueta até quantos metros a carga de fábrica cobre. Se a instalação ficou dentro desse comprimento, não se adiciona nada. Só o que passar do pré-carregado entra no cálculo.
A fórmula do acréscimo#

Com os dados da etiqueta em mãos:
Carga total = carga de fábrica + (metros que passaram do pré-carregado × gramas por metro)
Exemplo prático (12.000 BTU, pré-carga de fábrica para 5 m, instalação com 10 m):
- Metros extras: 10 − 5 = 5 m
- Acréscimo: 5 × 20 g = 100 g
- Carga total ≈ carga de fábrica + 100 g
Sempre pese a carga adicional na balança — carga de R-410A não se faz "no olho" nem só pela pressão.
Por que o R-410A só se carrega na fase líquida#
Este é o ponto que separa o serviço bem feito do problema futuro. O R-410A é uma mistura (R-32 + R-125). Se você carrega pela fase vapor (cilindro em pé), retira preferencialmente um dos componentes do cilindro e altera a composição do que entra no sistema — a mistura "desanda". Por isso:
- Carregue sempre na fase líquida, com o cilindro invertido (de cabeça para baixo).
- Para não mandar líquido de uma vez ao compressor, faça a carga de forma controlada: pela linha de líquido com o sistema desligado, ou dosando com cuidado pela sucção com o aparelho ligado, conforme a técnica.
- O cilindro de R-410A é rosa, padrão que ajuda a identificar o gás.
O erro de "completar" gás (e por que ele mata o compressor)#
Regra dura: sistema de R-410A que vazou não se "completa". Como é uma mistura, ao vazar, a composição do que restou pode não ser mais a original. Ir lá e "só completar" empilha erro sobre erro — a proporção fica errada, o desempenho cai e o compressor sofre. O certo é:
- Achar e corrigir o vazamento.
- Recolher todo o gás que restou, com recolhedora.
- Fazer vácuo.
- Recarregar a carga cheia pela balança, no peso da etiqueta.
Completar gás sem recolher é o atalho que volta como chamado — e, muitas vezes, como compressor queimado.
Pressões de referência e checagem final#
A carga certa não termina na balança: confirma-se pela leitura. Em operação típica com ambiente em torno de 25 °C, as pressões de referência ficam próximas de 110 a 140 PSI na sucção e 400 a 500 PSI na descarga — mas isso varia com a temperatura ambiente, então use o manifold junto da relação pressão-temperatura (P-T) do R-410A, não valores fixos de cabeça.
A conferência definitiva é por superaquecimento (superheat) e subresfriamento (subcooling):
- Se o superaquecimento está alto demais, tende a faltar carga; baixo demais, tende a sobrar.
- O subresfriamento ajuda a confirmar a carga correta na saída do condensador.
Carregar pela balança e fechar pela leitura de superaquecimento e subresfriamento é o que garante o serviço. Use a ferramenta de superaquecimento e subresfriamento e o conversor pressão-temperatura para os números do seu caso.
Aviso de segurança#
⚠️ O R-410A trabalha em pressões altas (bem acima do antigo R-22) e o contato do líquido com a pele causa queimadura por congelamento. Em ambiente fechado, desloca o oxigênio. Use EPI, trabalhe ventilado e com manifold adequado à alta pressão.
Carga, vácuo e recolhimento são serviço de técnico habilitado, e o recolhimento do gás segue a regulamentação ambiental. Nunca libere gás na atmosfera nem misture refrigerantes.
Passo a passo da carga correta#

Carregar R-410A não é "abrir o cilindro e soltar". A sequência que garante o serviço:
- Consulte a etiqueta da condensadora: carga de fábrica, comprimento pré-carregado e refrigerante.
- Calcule o acréscimo, se a tubulação passou do pré-carregado (metros extras × g/m).
- Faça vácuo no sistema com bomba, eliminando ar e umidade.
- Pese a carga na balança, com o cilindro invertido (fase líquida).
- Ligue e observe as pressões no manifold, comparando com a relação pressão-temperatura do dia.
- Feche pela leitura de superaquecimento e subresfriamento, ajustando fino se necessário.
Vale lembrar por que a carga exata importa tanto: gás a menos faz o aparelho gelar pouco, congelar a tubulação e forçar o compressor; gás a mais eleva a pressão de descarga, aquece o sistema e também encurta a vida do compressor. O ponto certo é uma faixa estreita — por isso balança e leitura de superaquecimento andam juntas, uma dosando e a outra conferindo.
R-410A não substitui R-22 direto#
Um erro comum em troca de aparelho ou reparo: tratar R-410A e R-22 como intercambiáveis. Não são. O R-410A trabalha em pressões bem mais altas que o R-22, exige óleo POE (não o mineral do R-22) e manifold próprio para a pressão maior.
Colocar R-410A num sistema projetado para R-22, ou misturar os dois, danifica o compressor e é perigoso. Cada gás tem seu sistema, seu óleo e sua ferramenta — e a etiqueta informa qual refrigerante aquele aparelho usa.
Erros comuns na carga de R-410A#
Os deslizes que mais estragam serviço e compressor:
- Pular o vácuo. Ar e umidade no sistema formam ácido, corroem e reduzem a eficiência.
- Carregar pela fase vapor. Muda a composição da mistura. Cilindro sempre invertido, fase líquida.
- Completar em vez de recarregar. Sistema que vazou pede recolhimento e carga cheia pela balança.
- Ignorar a etiqueta e ir pela tabela genérica. A tabela é referência; o número certo é o do fabricante, inclusive o comprimento pré-carregado.
- Fechar só pela pressão. A pressão varia com a temperatura ambiente; a carga se confirma por superaquecimento e subresfriamento.
- Usar manifold e óleo de R-22. O R-410A exige manifold de alta pressão e óleo POE.
Fugir desses seis erros é o que separa uma carga que dura de um chamado de retorno na semana seguinte.
Quando chamar um técnico#
- Qualquer carga, recarga, vácuo ou recolhimento de R-410A — é serviço técnico com instrumento.
- Sistema que vazou e precisa de recolhimento e recarga cheia (não completar).
- Leitura de superaquecimento ou subresfriamento fora do esperado após a carga.
- Dúvida sobre a carga exata do modelo — a etiqueta e o manual mandam.
Em resumo#
A tabela de carga de R-410A dá o ponto de partida — carga de fábrica por BTU e cerca de 20 g/m (até 12k) ou 30 g/m (18k+) por metro extra — mas quem manda é a etiqueta do fabricante, inclusive no comprimento já pré-carregado. Carregue sempre na fase líquida, pela balança, nunca "complete" um sistema que vazou (recolha e recarregue cheio) e feche o serviço pela leitura de superaquecimento e subresfriamento.
Para as propriedades do gás, veja gás R-410A; para o conceito de carga, quantidade de gás no ar-condicionado; e para os números do seu caso, o superaquecimento e subresfriamento e o conversor pressão-temperatura.
Perguntas frequentes
›Quantos gramas de R-410A por metro adicional?
›Qual a carga de gás de um split 12.000 BTU R-410A?
›Preciso adicionar gás em toda instalação?
›Pode carregar R-410A pela fase vapor?
›Posso completar o gás quando vaza?
›Dá para carregar só pela pressão, sem balança?
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Sobre o autor
Anderson ReyEmpreendedor e técnico profissional há mais de 17 anos, Anderson Rey é criador do canal Refrimaq no YouTube (598 mil inscritos), fundador da Refrimaq Assistência Técnica, ex-professor do Senac e autor de cursos técnicos com mais de 20 mil alunos no Brasil e no mundo.
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